Por Raimundo Accioly
Administrar Tarauacá nunca foi — e provavelmente nunca será — uma tarefa simples.
Estamos falando de um município de dimensões enormes, com uma população estimada em quase 50 mil habitantes, distribuída entre a área urbana, as margens dos rios Tarauacá e Muru, a BR-364, centenas de quilômetros de ramais, comunidades rurais e aldeias indígenas.
É nesse território complexo que um prefeito precisa administrar saúde, educação, infraestrutura, produção, assistência social, cultura, esporte, estradas, ramais e tantos outros serviços. A população não espera milagres. Espera trabalho, presença, desenvolvimento e melhoria de sua qualidade de vida.
É dentro desse contexto que considero necessário falar sobre o prefeito Rodrigo Damasceno e, especialmente, sobre a realização da Expo Tarauacá 2026.
Não pretendo aqui afirmar que uma festa apaga problemas administrativos. Não apaga. Também não significa que um gestor público esteja acima de críticas. Não está.
Mas considero igualmente injusto permitir que um episódio isolado seja utilizado para tentar diminuir tudo aquilo que foi construído durante quatro dias de uma feira que, pela dimensão alcançada, pode ser considerada uma das maiores — senão a maior — da história contemporânea de Tarauacá.
Rodrigo Damasceno é médico. Sua formação profissional nasceu da missão de cuidar de pessoas. Em determinado momento de sua trajetória, decidiu ampliar essa responsabilidade para a vida pública.
Foi eleito prefeito, conquistou novamente a confiança dos eleitores e hoje exerce seu segundo mandato.
Governar, entretanto, é muito diferente de atender um paciente. Na medicina, muitas vezes o problema está diante do profissional e existe um protocolo para enfrentá-lo. Na administração pública, os problemas chegam todos os dias, de todos os lados e quase sempre ao mesmo tempo.
E quem ocupa a cadeira de prefeito assume também o desgaste das decisões.
A realização da Expo Tarauacá é um bom exemplo.
Colocar de pé um evento daquela dimensão exige articulação política, recursos, planejamento, montagem de estrutura, segurança, saúde, trânsito, limpeza, contratação de atrações, organização dos espaços, apoio aos empreendedores e integração de dezenas de equipes.
Rodrigo Damasceno apostou no evento, trabalhou para sua realização e colocou seu governo diretamente na responsabilidade de entregar uma grande feira.
E entregou.
Uma feira que movimentou Tarauacá
Durante quatro dias, Tarauacá viveu uma movimentação extraordinária.
O Parque de Exposições recebeu milhares de pessoas. Tivemos artistas nacionais, regionais e locais, rodeio, atividades culturais, programação religiosa, espaços institucionais, empreendedores, comerciantes, produtores e trabalhadores dos mais diversos setores.
Dinheiro circulou.
Gente trabalhou.
Empreendedores venderam.
Prestadores de serviços tiveram oportunidades.
O comércio sentiu o movimento.
Famílias se divertiram.
Pessoas de outros municípios vieram para Tarauacá.
Isso também é desenvolvimento.
Uma feira agropecuária não pode ser analisada somente pelo tamanho do palco ou pelos artistas contratados. Seu resultado precisa ser observado também na capacidade de movimentar a economia, gerar oportunidades, divulgar o município e proporcionar lazer à população.
E, nesses aspectos, considero difícil negar que a Expo Tarauacá 2026 foi um sucesso.
Esse mérito precisa ser compartilhado com o Governo do Acre, sob a liderança da governadora Mailza Assis, com o Sebrae, instituições parceiras, servidores, forças de segurança, empresários, trabalhadores e todos aqueles que participaram da construção da feira.
Mas existe uma responsabilidade política central.
E ela pertence ao prefeito.
Se a Expo tivesse fracassado, não tenho dúvida de que Rodrigo seria apontado como o principal responsável. Portanto, se a feira foi bem-sucedida, é coerente reconhecer também seu protagonismo.
Uma pesquisa que mostra aprovação, mas precisa ser lida com cautela
Esse reconhecimento não precisa ficar restrito à Expo.
Pesquisa da Perfil Pesquisas, realizada entre 20 e 27 de agosto de 2026 em oito municípios acreanos, apontou a administração de Rodrigo Damasceno com 62,8% de aprovação e 31,9% de desaprovação em Tarauacá.
No levantamento, Tarauacá apareceu com o segundo maior percentual de aprovação entre os oito municípios pesquisados.
É necessário, entretanto, registrar uma ressalva importante: em Tarauacá foram realizadas 90 entrevistas e a margem de erro municipal estimada é de 10,3 pontos percentuais. A própria pesquisa recomenda interpretar os números como indicação de tendência, e não como uma disputa precisa entre municípios por diferenças pequenas.
Feita essa ressalva, o levantamento apresenta um dado politicamente relevante: a gestão municipal aparece com aprovação majoritária entre os entrevistados.
Isso não significa ausência de problemas. Significa que existe uma parcela expressiva da população reconhecendo o trabalho realizado.
E então veio o episódio da última noite
A quarta e última noite da Expo foi gigantesca.
Uma verdadeira multidão ocupou o Parque de Exposições. Houve final do rodeio, show de MC Daniel e uma enorme expectativa para a apresentação de Léo Magalhães.
O show principal atrasou.
O público começou a reclamar. Vieram cobranças e vaias. Havia ainda uma preocupação das forças de segurança com o horário previamente estabelecido para o encerramento das atividades.
E toda aquela pressão naturalmente chegou ao prefeito.
Segundo as informações que chegaram até nós, não havia naquele momento problema relacionado a pagamento do cachê, estrutura de som ou acesso que justificasse o atraso. Diante da demora, Rodrigo foi buscar explicações e cobrar o início da apresentação.
Nesse momento ocorreu o episódio que posteriormente ganhou as redes sociais.
Ao tentar acessar uma área restrita, o prefeito foi impedido pela segurança do artista. Sentindo-se desrespeitado e pressionado por toda a situação, exaltou-se e precisou ser contido por pessoas próximas, evitando que o episódio avançasse para uma discussão maior.
O vídeo daquele momento foi recortado, compartilhado e reproduzido em redes sociais e veículos de comunicação.
É legítimo discutir a reação do prefeito.
Um agente público, especialmente quem exerce o cargo de prefeito, precisa compreender que suas atitudes estão permanentemente submetidas ao escrutínio público. Exaltar-se não é a melhor resposta para uma situação de tensão, ainda que existam circunstâncias que ajudem a compreender o contexto.
Mas uma coisa é analisar criticamente aquele momento.
Outra, muito diferente, é transformar alguns minutos de tensão em resumo de quatro dias de Expo.
Um vídeo não pode apagar uma feira inteira
É justamente aqui que considero necessária alguma proporcionalidade.
Foram dias de preparação, trabalho e responsabilidade.
Centenas de pessoas envolvidas.
Milhares de visitantes.
Empreendedores trabalhando.
Famílias ocupando o Parque de Exposições.
Shows nacionais.
Rodeio.
Cultura.
Fé.
Comércio.
Geração de renda.
Uma estrutura de grandes proporções montada em Tarauacá.
E, de repente, para determinados setores, tudo isso parece perder importância diante de um pequeno recorte de vídeo.
Não considero justo.
Quem deseja criticar Rodrigo pelo episódio tem todo o direito. A democracia pressupõe crítica, fiscalização e cobrança.
O que não devemos fazer é permitir que interesses políticos ou a lógica das redes sociais transformem um episódio pontual em tentativa de apagar aquilo que milhares de tarauacaenses viram com os próprios olhos.
A Expo aconteceu. A cidade recebeu uma grande estrutura. O público compareceu. Os empreendedores trabalharam. Os shows aconteceram. E a feira foi um sucesso.
Isso é fato político e administrativo que merece ser registrado.
Prefeito também é ser humano — mas precisa responder como autoridade
Rodrigo Damasceno é prefeito, mas continua sendo uma pessoa sujeita à pressão, frustração e emoção.
Isso explica determinadas reações. Não necessariamente as justifica.
E talvez esteja justamente aí uma das lições daquele episódio.
Um líder precisa aprender diariamente a administrar não apenas recursos, equipes e problemas públicos, mas também suas próprias reações diante das situações de extrema pressão.
Rodrigo é jovem, está em seu segundo mandato e certamente terá oportunidade de avaliar aquele momento.
Reconhecer um erro ou um excesso, quando houver, não diminui ninguém. Ao contrário, pode demonstrar maturidade.
Da mesma forma, um momento de exaltação não deve ser suficiente para apagar uma trajetória administrativa nem o resultado de um evento dessa magnitude.
O saldo da Expo é muito maior
Problemas aconteceram durante o período da feira. Houve ocorrências policiais, acidentes graves na BR-364 — inclusive tragédias relacionadas ao trânsito e ao consumo de álcool — e situações que nenhuma organização gostaria de registrar.
É importante, porém, separar responsabilidades.
Nem todo fato ocorrido em Tarauacá durante os dias da Expo pode ser automaticamente atribuído à Prefeitura ou à organização do evento.
Uma administração pública deve oferecer estrutura, planejamento, fiscalização e segurança dentro das competências do poder público. Mas existem decisões individuais que nenhuma prefeitura consegue controlar integralmente.
O balanço de um evento precisa considerar o conjunto.
E, olhando para o conjunto, a Expo Tarauacá 2026 deixa um saldo que considero amplamente positivo.
O mérito também precisa ter nome
Na política existe uma regra curiosa: quando algo dá errado, rapidamente aparece um responsável. Quando dá certo, o mérito parece ficar órfão.
Não deve ser assim.
A Prefeitura de Tarauacá, o Governo do Acre, a governadora Mailza Assis, o Sebrae, servidores, patrocinadores, parceiros, forças de segurança, trabalhadores e empreendedores merecem reconhecimento.
Mas o principal responsável político pela Prefeitura tem nome: Rodrigo Damasceno.
Ele acreditou na realização da feira. Sua administração assumiu o desafio. Trabalhou para colocá-la de pé. Enfrentou cobranças e problemas. E viu o Parque de Exposições receber uma multidão na noite de encerramento.
Critiquemos quando for necessário.
Cobremos quando houver motivos.
Apontemos os erros quando eles existirem.
Mas tenhamos também grandeza para reconhecer os acertos.
A história da Expo Tarauacá 2026 não pode ser reduzida a alguns segundos de um vídeo. Ela foi construída durante quatro dias — e muito antes deles — pelo trabalho de muita gente e pela decisão política de fazer a feira acontecer.
Rodrigo Damasceno esteve no centro dessa decisão e, portanto, deve também estar no centro do reconhecimento pelo seu resultado.
A política passa. As disputas passam. Os vídeos das redes sociais são substituídos por outros vídeos.
O que permanece são as realizações e a avaliação que o povo faz delas.
Avante, doutor Rodrigo
Por:
Raimundo Accioly
